Riprendiamo gli sbarchi de La zattera atlantica con una piccola scelta di testi migranti dai vari libri del poeta brasiliano Claudio Daniel al porto aperto della lingua italiana. La traduzione dall’originale portoghese è a cura di Alessandro Mistrorigo. Un grazie a Vanessa Castagna per la supervisione.

 

«[…] numa época de extrema banalização da cultura, da informação, dos discursos, acredito que a poesia é uma forma de resistência dentro da linguagem» C. Daniel, video intervista dall’Enciclopédia Itaú Cultural

***

DANTE

(Inferno, I, 31-42)

Um jardim, ver a sombra e além
da estrela, ver a terra
furiosa; tempo
é o que incendeia,
fera — insânia —
esfera; e de esfera
em esfera, afoga
teu suplício
em gruta de ecos.
Chora, do fundo
do olho, clama
ao Deus cabalístico.
Até vislumbrar
a sombra do leopardo;
até saber que forma
é vazio, silêncio
(ou brancura)
oculto em palavra
e paisagem.
Até saber que Dor
é um modo de ver
o escuro, outra
hipótese
de luz.

(1999)

 

DANTE

(Inferno, I, 31-42)

Un giardino, vedere l’ombra e oltre
la stella, vedere la terra
furiosa; tempo
è ciò che incendia,
fiera — follia —
sfera; e di sfera
in sfera, affoga
il tuo supplizio
in grotta di echi.
Piange, dal fondo
dell’occhio, clama
al Dio cabalistico.
Fino a scorgere
l’ombra del leopardo;
fino a sapere quale forma
è vuoto, silenzio
(o biancore)
occulto in parola
e paesaggio.
Fino a sapere quale Dolore
è un modo di vedere
l’oscurità, altra
ipotesi
di luce.

(1999)

***

2019

Para Bao Dei

Caminho
de um escuro
a outra treva
no esqueleto da noite.
Palavras são corvos invisíveis.
Tudo é silêncio
num tempo de desaparições.
Apenas no mercado negro
da memória
revisito as cenas
da triste comédia.
O relógio é mudo
as horas abolidas.
Vem, cavalo negro
da insanidade.
Borra o mapa de mim mesmo.
Listas negras
silêncio imposto
execuções nos campos
execuções nas ruas.
Jornais mentem como juízes.
Esta é a rosa dos corvos
companheiro Bao Dei.
Este é o reflexo sujo
da faca nas águas do rio.
Que venham os carrascos.
Que venham os açougueiros.
Nunca deixarei de rebelar-me
nem que seja neste poema
pesado como um navio.
Nunca deixarei de amar o meu amor.
Nesta noite imensa como um sanatório
soldados removem seus rostos
e mostram-se nadas de nada.

 

2019

Per Bao Dei

Cammino
da un’oscurità
a un’altra tenebra
nello scheletro della notte.
Le parole sono corvi invisibili.
Tutto è silenzio
in un tempo di sparizioni.
Soltanto al mercato nero
della memoria
rivisito le scene
della triste commedia.
L’orologio è muto
le ore abolite.
Vieni, cavallo nero
della demenza.
Cancella la mappa di me stesso.
Liste nere
silenzio imposto
esecuzioni nei campi
esecuzioni nelle strade.
I giornali mentono come giudici.
Questa è la rosa dei corvi
compagno Bao Dei.
Questo è il riflesso sporco
del coltello nelle acque del fiume.
Che vengano i carnefici.
Che vengano i macellai.
Non smetterò mai di ribellarmi
neanche che sia in questa poesia
pesante quanto una nave.
Non smetterò mai di amare il mio amore.
In questa notte immensa come un sanatorio
i soldati rimuovono i loro visi
e si mostrano nulla di nulla.

***

POROS

Um silêncio verde
— Paul Celan

O
verde,
sua pele
ácida. Tocar
os poros
do verde, florir
metálico. Ouvir
sua voz de asa
e sombra.
Olhos, faisões
de cegueira.
Joias de irada
divindade.
Abelhas e lagostas
amam-se, odeiam-se,
tulipas caem
na goela
do tempo.
Tuas mãos tateiam
a nervura imprecisa
da cicatriz
e não há mar,
nem pão, nem página.
Alucino-te
ao mirar-me
no silêncio
de uma laranja
quadrada.
Aqui, nada mais viceja.
Lacraias afogam-me
em tua lágrima
e se fecha a porta
esquerda. Toda palavra
me fere com sua cor.
Quando cessa
o canto, calados,
ouvimo-nos
em um corte
azul.

(1999)

 

PORI

Un silenzio verde
— Paul Celan

Il
verde,
la sua pelle
acida. Toccare
i pori
del verde, fiorire
metallico. Sentire
la sua voce d’ala
e ombra.
Occhi, fagiani
di cecità.
Gemme d’irata
divinità.
Api e aragoste
si amano, si odiano,
i tulipani cadono
nel gozzo
del tempo.
Le tue mani tastano
la nervatura imprecisa
della cicatrice
e non c’è mare,
né pane, né pagina.
Ti abbacino
se mi guardi
nel silenzio
di un’arancia
quadrata.
Qui, nulla più brilla.
Millepiedi mi affogano
nella tua lacrima
e si chiude la porta
sinistra. Ogni parola
mi ferisce con il suo colore.
Quando cessa
il canto, muti,
ci sentiamo
in un taglio
blu.

(1999)

***

LETRA NEGRA

(fragmento XXIX)

esta é a maneira de sermos brutais,
com a aspereza
de quem caminha
pelas ruas,
mascando lascas.

não preciso dar explicações
com palavras de madeira,
porque sou impuro
e espontâneo
como a fera.

esta é minha sombra magra, confesso,
estes, os meus passos desordenados.

nenhuma estrela para definir o dramatismo da noite
ao longo da jornada,
nem os ramos
de uma árvore inclinada.

quem considere imprecisa a descrição,
que escreva o seu próprio
rascunho,
com a fúria
violeta
do escaravelho.

sem contar nove vezes
menos um eco,
sigo minha jornada bípede,
de energúmeno.

nada aqui faz sentido para os meus lábios
vociferantes;

e como não venero
deuses de esterco,
nem as clausuras
cíclicas da história,

sigo andando
com minhas omoplatas,
minhas axilas,
meu caralho,

minha testa
desenhada
com símbolos alquímicos,

e um poema
escrito para ninguém
nas linhas torcidas
de meus pulsos.

(2009)

 

SCRITTURA NERA

(frammento XXIX)

questo è il nostro modo di essere brutali,
con l’asprezza
di chi cammina
per le strade,
masticando schegge.

non devo dare spiegazioni
con parole di legno,
perché sono impuro
e spontaneo
come la fiera.

questa è la mia ombra magra, lo confesso,
questi, i miei passi disorientatati.

nessuna stella a definire la drammaticità della notte
durante la giornata,
né i rami
di un albero inclinato.

chi consideri imprecisa la descrizione,
che scriva la sua personale
bozza,
con la furia
violacea
dello scarafaggio.

senza contare nove volte
meno un eco,
continuo la mia giornata bipede,
di energumeno.

nulla qui ha senso per le mie labbra
vociferanti;

e siccome non venero
deità di sterco,
né le clausure
cicliche della storia,

continuo a camminare
con le mie scapole,
le mie ascelle,
il mio cazzo,

la mia testa
disegnata
con simboli alchemici,

e una poesia
scritta per nessuno
nelle linee ritorte
dei miei polsi.

(2009)

***

FLOR OCCIPITAL

Flor occipital é o nome da cabeça.

Linhas, volumes.

Uma escrita de ossos, nervos,
orbes, lembranças.

Palavras que se perderam em algum lugar
que você evita.

Cenários que surgem de repente
como lagos, cristais,
pequenas facas
brancas.

Uma cobra que não é o Nome que escorre em seus lábios.

Árvore que não diz mais nem menos
do que
isto.

Há um aprendizado para a loucura?

Você esmaga um inseto entre os dedos
mas a sensação
permanece.

É um calafrio que você não pode explicar.

Fibras, tudo são fibras de um tecido miraculoso.
Um tapete oriental
em forma de rim,
no qual somos um minúsculo detalhe,
formiga que cavalga o dorso de um dragão.

Na palma, no pulso, na pele,
você pensou ter sentido os jogos da noite,
mãos fugidias, voz emudecida,
nenhum tabuleiro
ou peão.

Esta não é a face de um sonho,
menos luz, nenhuma membrana,
caralho, você grita
aos miolos de pão.

Formigas de ninguém atravessam de um lado a outro
o canteiro
do jardim.

Existe a ilusão do amor e os dentes, dentes, dentes.

Porque tudo é real.

A pedra que explode nas têmporas.

A Terra em forma de cálice.

A palavra que se reproduz como as aves no Palácio da Deusa da Lua.

O sentido é apenas a sombra.

Sou a fome de uma claridade que não haverá jamais.
Porque os ritmos, os ritmos, os ritmos.
Porque o riso da cadela.

Celan e a “loucura aberta de um poro”.

Nenhuma saída para parte alguma.

Caranguejos à deriva na chuva, um retrato, um nome
que não é a cobra
que não escorre
em teus lábios.

Jogar-se na sombra em busca do sentido de mascar folhas de cobre.

Jogar-se na sombra em busca do íntimo escaravelho
tatuado na buceta
da Senhora Linguagem.

Jogar-se na sombra porque pedra é mais do que grito é mais do que esquilo
é mais do que o turvo
uivo
da lacraia.

Escrever poesia não é um trabalho para homens delicados.

Flor occipital é o nome da cabeça.

Aqui estão todos os jogos, todos os mapas, todas as palavras,
inclusive aquelas por inventar.

Flor occipital é o nome da cabeça.

Tua voz.

Tuas faces.

Tuas mandalas de ternura e escárnio.

A desfiguração de linhas no corpo convulsivo, explodindo lêmures.

Esmeralda.

Tudo se inicia e termina com a encantação da esmeralda.

À memória de Rodrigo de Souza Leão, 2011

 

FIORE OCCIPITALE

Fiore occipitale è il nome della testa.

Linee, volumi.

Una scrittura d’ossi, nervi,
orbi, ricordi.

Parole che si sono perse in un qualche luogo
che eviti.

Scenari che sorgono improvvisamente
come laghi, cristalli,
piccoli coltelli
bianchi.

Un serpente che non è il Nome che scorre sulle tue labbra.

Albero che non dice né più né meno
che
questo.

C’è un apprendistato per la pazzia?

Schiacci un insetto tra le dita
ma la sensazione
rimane.

È un brivido che non puoi spiegare.

Fibre, tutto è fibra di un tessuto miracoloso.
Un tappeto orientale
a forma di rene,
nel quale siamo un minuscolo dettaglio,
formica che cavalca il dorso di un drago.

Sul palmo, sul polso, sulla pelle,
hai pensato di aver sentito i giochi della notte,
mani fuggitive, voce ammutolita,
nessuna scacchiera
o pedone.

Questo non è il volto di un sogno,
meno luce, nessuna membrana,
cazzo, sbraiti
alle molliche di pane.

Formiche di nessuno attraversano da un lato all’altro
l’aiuola
del giardino.

Esiste l’illusione dell’amore e i denti, denti, denti.

Perché tutto è reale.

La pietra che esplode nelle tempie.

La Terra a forma di calice.

La parola che si riproduce come gli uccelli nel Palazzo della Dea della Luna.

Il senso è soltanto l’ombra.

Sono la fame di una chiarità che non esisterà mai.
Perché i ritmi, i ritmi, i ritmi.
Perché il riso della cagna.

Celan e la “pazzia aperta di un poro”.

Nessuna uscita da nessuna parte.

Granchi alla deriva nella pioggia, un ritratto, un nome
che non è il serpente
che non striscia
sulle tue labbra.

Gettarsi nell’ombra cercando il senso del masticare foglie di rame.

Gettarsi nell’ombra cercando l’intimo scarafaggio
tatuato nella vagina
della Signora Lingua.

Gettarsi nell’ombra perché pietra è più di grido è più di scoiattolo
è più del torvo
ululato
del millepiedi.

Scrivere poesia non è certo un lavoro per uomini delicati.

Fiore occipitale è il nome della testa.

Qui ci sono tutti i giochi, tutte le mappe, tutte le parole,
incluse quelle da inventare.

Fiore occipitale è il nome della testa.

La tua voce.

Le tue guance.

I tuoi mandala di tenerezza e sdegno.

La deturpazione delle linee nel corpo convulsivo, che esplode lemuri.

Smeraldo.

Tutto inizia e termina con l’incantesimo dello smeraldo.

Alla memoria di Rodrigo de Souza Leão, 2011

 

Claudio Daniel (San Paolo, 1962) è poeta, saggista e traduttore. È, inoltre, Dottore in Letteratura Portoghese all’Università di San Paolo con una tesi sulla ricezione della poesia giapponese in Portogallo. È stato curatore della Sezione di Letteratura e Poesia presso il Centro Cultural São Paulo tra il 2010 e il 2014. Attualmente collabora con la rivista CULT ed è editore di Zunái – Revista de Poesia e Debates. Ha pubblicato numerose raccolte di poesia: Sutra (1992), Yumê (1999), A sombra do leopardo (2001), Figuras metálicas (2005), Fera bifronte (2009), Letra negra (2010), Cores para cegos (2012), Cadernos bestiais (2015), Esqueletos do nunca (2015), Livro de orikis (2015), olte ai racconto raccolti sotto il titolo Romanceiro de Dona Virgo (2004). Come traduttore dallo spagnolo, ha curato, tra gli altri titoli, l’antologia Jardim de camaleões, a poesia neobarroca na América Latina (2004). In Portogallo, ha pubblicato l’antologia poetica personale Escrito em Osso (2008). La sua poesia è apparsa in antologie di poesia contemporanea brasiliana sia in America Latina che negli Stati Uniti.

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